Desde longa data, são reconhecidos os dotes musicais dos jorgenses. Exemplo disso é a quantidade considerável de filarmónicas, chegando mesmo a ser em número superior ao número de freguesias. O gosto pela música também está patente nos tradicionais bailes regionais, onde se tocam e bailam as modas dos nossos antepassados, como a Chamarrita, Saudade, Samacaio, Pézinho, Lira, os Pêssegos de entre muitos outros. Para repor o desaparecimento dos bailes tradicionais e de algumas tradições surgiram os grupos etnográficos, reconstituindo os trajes, o cantar e o bailado dos antepassados, fazendo reviver as nossas tradições. Podemos realçar o Grupo Etnográfico da Calheta que foi um dos mais apreciados do arquipélago, pela sua qualidade nas recolhas etnográficas e musicais efetuadas, bem como no rigor que depositaram na transcrição destas tradições às atuais gerações.O conhecido filho da terra, Maestro Francisco Lacerda, natural da Ribeira Seca, é o exemplo perfeito do sucesso do homem açoriano no mundo. Considerado um dos melhores Diretores de Orquestra da Europa no século XIX, foi também compositor, musicólogo e folclorista. Partiu da Fajã da Fragueira para o mundo, passando por cidades como Porto e Lisboa, antes de se fixar em França, onde desempenhou cargos importantes, sempre ligados à sua paixão - a música - à qual sacrificou um promissor Curso de Medicina. Para os jovens açorianos de qualquer tempo, Francisco de Lacerda é um exemplo de confiança nas capacidades próprias e de sucesso internacional baseado no estudo e nos trabalhos sistemáticos e aturados, que desenvolveu, bem como no seu enorme talento que colocou ao dispor da Europa e do Mundo.